Economia compartilhada: o que é e como vem revolucionando os mercados tradicionais

O termo “economia compartilhada” (sharing economy) tem sido utilizado para designar modelos de negócios dos mais variados tipos, desde aplicativos de carona, hospedagem e passeadores de cães, até plataformas de financiamento coletivo (crowdfunding). Sobretudo a partir de 2008, plataformas dessa nova economia começaram a se fortalecer no mundo todo, junto da promessa (hoje já concretizada) de que revolucionariam mercados tradicionais.

Nesse cenário, este artigo busca esclarecer alguns pontos, como: o que significa economia compartilhada? O que essas plataformas têm em comum? Por que causam disrupção?

Na sequência, falaremos sobre Fintechs e, especificamente, sobre como plataformas de crowdfunding vêm revolucionando a qualidade e o acesso a serviços financeiros.

O que é economia compartilhada?

A economia compartilhada é composta por plataformas (geralmente apps ou websites) que facilitam a transação de bens e serviços diretamente entre indivíduos . Nesse sentido, elas promovem a descentralização do fornecimento de capital e trabalho na sociedade, que passa a provir de multidões de indivíduos e não mais de algumas empresas. Por exemplo, o Airbnb facilita que seus usuários se hospedem em residências de moradores locais, em vez de hotéis. Enquanto isso, plataformas de crowdfunding oferecem aos empreendedores uma multidão de investidores, como alternativa aos empréstimos do banco.

O verbo “compartilhar”, da economia compartilhada, costuma ser empregado não no sentido de doação ou altruísmo, e sim de aproveitamento da capacidade ociosa de bens e serviços. Geralmente, a capacidade ociosa dos bens seria simplesmente perdida (evita-se isso, por exemplo, ao alugar um quarto da casa que ficaria vazio, ou ao dividir o espaço do carro no Blablacar ou Waze Carpool) ou apropriada por um intermediário (como o spread bancário). A economia compartilhada, ao evitar tais desperdícios, entrega mais valor aos seus participantes.

O encontro entre estranhos

Para atingir tais objetivos, as plataformas da economia compartilhada constroem marketplaces que inspiram a confiança, o encontro e a coordenação entre estranhos.

Há alguns anos você provavelmente não entraria no carro de um desconhecido para seu transporte diário, seja pelo medo ou pela dificuldade prática de combinar toda logística e pagamento. Hoje, dezenas de apps trazem um motorista até seu local em poucos minutos, você pode ver suas avaliações passadas e o pagamento é processado automaticamente.

Efeito sobre os mercados tradicionais

A superação desses desafios práticos provoca um processo de desintermediação dos players tradicionais.

Fornecedores tradicionais, como taxistas, bancos e hotéis, que por esses motivos (acompanhados de barreiras regulatórias) monopolizavam muitos serviços de seus setores, estão perdendo cada vez mais espaço para as transações diretas entre os indivíduos.

Plataformas digitais facilitadoras

A economia compartilhada fez surgir um novo tipo de intermediário, mais parecido com um facilitador, cujo papel é construir e manter um marketplace de transações peer-to-peer .

O capital das plataformas digitais consiste, principalmente, em um software (website ou app) e seu know-how sobre o negócio transacionado, enquanto os bens ou serviços fornecidos nas transações provêm da multidão de peers.

O papel deste novo intermediário é, portanto, criar as ferramentas e o ambiente corretos que reduzam os custos de transação entre os dois lados.

Fintechs e crowdfunding: a revolução dos serviços financeiros

Esse cenário de disrupção é exatamente o caso das Fintechs, empresas que utilizam a tecnologia para competir com as instituições financeiras tradicionais, desafiando seus modelos de negócios amplamente estabelecidos.

A Glebba Investimentos, por exemplo, plataforma de crowdfunding de investimentos, utiliza a tecnologia para construir um marketplace seguro e transparente em que empreendimentos imobiliários, previamente aprovados por sua curadoria, recebem investimentos diretos de uma multidão de indivíduos.

Vantagens do crowdfunding imobiliário

A desintermediação do banco aqui provocada produz os efeitos de:

  • Rentabilidade – A maior retenção de valor na mão dos peers se traduz em maior rentabilidade do investimento;
  • Transparência – Pois cada um sabe onde seu dinheiro está sendo investido;
  • Melhor produto – Decorrência da competição e diversificação das ofertas, que aumenta a variedade e qualidade de produtos;
  • Maior acesso – Como já apontado em relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a ampliação do acesso a serviços financeiros pela população e empresas, reduzindo os custos de entrada e de utilização dos serviços.

Antes, o investimento imobiliário estava restrito a grandes empresas ou investidores, que dispunham de milhões de reais. Agora, é possível que qualquer pessoa invista com valores muito mais baixos, sem abrir mão do rendimento.

Crowdfunding no mundo e no Brasil

Tais vantagens são confirmadas pelo crescimento exponencial do volume total de crowdfunding no mundo. Recente estudo publicado pelo Prof. Raghavendra Rau, da Universidade de Oxford, aponta que o volume global total de todas as modalidades de crowdfunding atingiu, em 2016, US$ 290 bi – um crescimento médio anual maior do que 250% –, sendo a China responsável por 83% dessa soma, seguida pelos EUA com 12% e pelo Reino Unido com 2%.

Além disso, o movimento de crescimento do crowdfunding no Brasil é favorecido pela Instrução CVM 588, que regula o crowdfunding de investimento feito por meio de plataformas digitais. Isso porque, ao publicar a Instrução, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) levou em consideração uma ampla fase de consultas públicas, em que os participantes do mercado foram ouvidos. Assim, a norma já nasceu alinhada com a realidade do mercado, servindo como um instrumento de segurança para as transações realizadas nesse meio, e não uma barreira regulatória. Assim, o investidor pode certificar-se de que a plataforma de crowdfunding é uma empresa séria constatando que ela está registrada junto à CVM (como é o caso da Glebba), o que é um indício de que segue a Instrução CVM 588, garantindo os direitos previstos na norma aos seus investidores.

Conclusão

Novos modelos de negócios, impulsionados por ferramentas tecnológicas, têm alterado a forma como produzimos, consumimos, financiamos empreendimentos e, enfim, vivemos. O caso emblemático que perpassa por diversos setores da economia é a ascensão das plataformas digitais, que constroem ambientes nos quais os indivíduos se relacionam diretamente, em vez de depender dos intermediários tradicionais.

A assim chamada economia compartilhada encontrou, em alguns setores, feroz resistência dos “incumbentes” (fornecedores já estabelecidos no mercado), que se utilizam de barreiras regulatórias para tentar evitar o inevitável. Já no crowdfunding de investimentos, assistimos recentemente ao cenário oposto, tendo a CVM assumido postura proativa para estimular o desenvolvimento desse setor, que tende a crescer exponencialmente no Brasil, como no mundo todo.