Crowdfunding e fintech podem ser a solução para “desempoçar” recursos

No último dia 4 de abril, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que os recursos financeiros importantes para a amenizar os efeitos da COVID-19 estão “empoçados” pelo sistema financeiro. Isso porque o sistema financeiro brasileiro, assim como os sistemas financeiros de praticamente o mundo todo, não foi montado para que empresas recebam recursos diretamente do governo ou Banco Central.

Mesmo com todas as medidas de estímulo ao crédito como a redução do depósito compulsório e outras facilidades oferecidas pelo governo, os recursos ainda encontram muita dificuldade para chegar até “a ponta”.

Novidade no mercado

A solução para esta situação, que parecia ser inexistente até o momento, poderá vir justamente de um setor do sistema financeiro que é considerado relativamente novo: as Fintechs que, regulamentadas pelo Bacen e CVM, já possuem know-how e bastante experiência de como aplicar recursos em pequenas empresas, a partir do mercado de capitais, sem muita burocracia e de forma rápida e bastante eficiente.

A evidência que esta pode ser uma boa solução está nas diversas captações e operações realizadas por plataformas de crowdfunding de investimentos, para os mais diferentes fins, e que vêm tendo resultados bastante significativos para o mercado. Apenas em 2019, estas plataformas conseguiram realizar investimentos que, somados, atingiram a marca de R$ 175 milhões.

Esse capital possui diversas finalidades e características que são fundamentalmente interessantes para a economia, pois toda a operação é baseada em uma relação de benefícios mútuos, já que as plataformas apresentam um custo de capital bastante reduzido. Isso significa que, além dos recursos chegarem “na ponta” muito mais rápido, eles também chegam a um custo muito menor, melhorando o acesso a esses recursos por parte das empresas e ainda garantindo uma boa rentabilidade aos investidores.

Prazo e vantagens

No caso do Governo Federal, seria igualmente interessante, pois os recursos liberados podem ser operados pelas plataformas, principalmente as regulamentadas pela ICVM 588. O prazo dessas operações oferecidas pelas plataformas gira em torno de 24 meses, o que torna esta operação interessante, pois haverá um período de carência crucial para que as empresas tenham tempo de se restabelecerem antes de quitarem seus débitos.

Como estamos falando de crowdfunding de investimento, falamos também de impulsionar expressivamente os recursos do Governo Federal direcionados a estas empresas. Isso permitirá ao mercado de capitais também tomar parte na operação. Dessa forma, é possível dobrar o montante liberado pelo Governo Federal para as empresas por meio do mercado de capitais, possibilitando que investidores, que buscam novas opções de investimentos, também colaborem diretamente com a manutenção de empregos e empresas por todo o País, dependendo apenas da mobilização do BNDES e do Banco Central para realizarem investimentos com a utilização das plataformas.